sexta-feira, 2 de novembro de 2018
Dry Your Tears, Áfrika - Amistad
Dry Your Tears, Áfrika, da trilha sonora de John Williams - do filme Amistad - 1997 - dirigido por Steven Spielberg
1492: Conquest of Paradise Theme • Vangelis
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Conquest
of Paradise
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Conquista do Paraíso
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In noreni per ipe
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Noite adentro
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In noreni cora
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À noite encontrados
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Tira mine per ito
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Muitos tesouros perdidos
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Ne domina
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Por eles dominados
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In romine tirmeno
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Em Roma, há luta e caos
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Ne romine to fa
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Não há amigos por lá
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Imaginas per meno per imentira
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Imagens de riquezas são falsas
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sábado, 27 de outubro de 2018
Saindo da Casinha
Obrigada, Pink Floyd por ter existido na minha vida e ter me estimulado na juventude ao livre-pensamento com sua música e letras maravilhosas.
Tradução de Us and Them: http://letrasincertas.blogspot.com/2008/07/us-and-them.html
Tradução de Us and Them: http://letrasincertas.blogspot.com/2008/07/us-and-them.html
quinta-feira, 7 de setembro de 2017
...audaciosamente indo...
Em sua missão de cinco anos...
para explorar novos mundos...
para pesquisar novas vidas...
novas civilizações...
audaciosamente indo...
aonde nenhum homem jamais esteve.
quinta-feira, 5 de julho de 2012
domingo, 12 de fevereiro de 2012
Viajando Espiritualmente no colo de Krishna...
Por :: Wagner Borges ::
Krishna, nas asas da canção, eu vejo Você.
Sim, eu vejo o Seu Sorriso por entre os planos...
E, em meu coração, eu sei o motivo.
Talvez, por causa de outros corações – que estão tristes.
Porque eu aprendi a sua lição direitinho, em Espírito e Verdade.
E quando sinto a dor do mundo, eu penso em Você.
Faço como aprendi: diante do sofrimento, eu oro a Você.
Diante do cadáver de uma criança, eu penso em Você.
Imagino Você pegando-a no colo e entrando na Luz...
E diante do cadáver do ancião, eu também penso em Você.
Imagino-O cantando um mantra em sua intenção e acalentando-o.
Ah, Govinda*, eu aprendi o que Você me ensinou.
E sei que Você conhece muito bem o coração dos homens.
E também conhece todas as canções de Amor – e a Luz delas...
Sim, eu vejo Você. E sinto o Seu Abraço silencioso no mundo.
E sei que o Seu sorriso está varrendo a tristeza de muitos corações.
A criança e o velho estão no seu colo, por entre os planos...
Você está levando-os para casa, lá em cima, na forja estelar.
E eu sei porque Você me deixa ver isso, Meu Amigo.
É porque, diante da dor do mundo, eu penso em Você.
Então, o meu pequeno coração voa nas asas de um Grande Amor...
Até o Seu Colo, junto com a criança e o ancião, na Luz do Eterno.
E, ali, por entre os planos, a viagem do Samadhi acontece...
Enquanto Você sorri e o Amor acontece.
P.S.:
Ah, Gopala, eu vejo Você!
E não é por causa de alguma doutrina oriental.
É por causa de um Grande Amor.
Eu penso em Você, e algo acontece...
É noite, mas os meus olhos têm o brilho da aurora.
E, agora, além da criança e do velho, eu vejo o mundo no Seu Colo.
Sim, eu vejo o Amor acontecendo, enquanto Você sorri...
E, mesmo no centro da noite, o Sol do Samadhi desponta em meu coração.
E eu fico aqui, com os olhos iguais a diamantes, pensando em Você.
Nessa noite, onde a criança e o ancião estão voltando para casa – na Luz.
Nessa noite, que é manhã no meu coração...**
Gratidão.
Paz e Luz.
Wagner Borges – mestre de nada e discípulo de coisa alguma, contente, nas ondas do esclarecimento e da assistência espiritual...***
- Notas:
* Govinda (ou Gopala) - são epítetos de Krishna, considerado como o Pastorzinho divino, que tangencia os seres na direção da Bem-Aventurança (Ananda), e da consciência cósmica (o Samadhi, a expansão da consciência, muitas vezes associada ao despontar da aurora dissolvendo as trevas – o ego - e fazendo a atmosfera dançar na luz).
Govinda e Gopala também são considerados como mantras de dissolução de climas psicofísicos densos. Trazem alegria e espantam as confusões e equívocos.
** Escrevi essas linhas para registrar o Grande Amor que, mais uma vez, desceu aqui, em meu pequeno coração. Algo que não se explica, só se sente... E que deixa o meu lar cheio de Luz. Ah, isso não tem preço. E eu sou só gratidão... Nessa madrugada, que é linda manhã em meu coração.
Obs.: Enquanto eu escrevia, rolava aqui no meu som a linda canção The End Will Come (faixa 3 do CD The Big Picture, do ano de 1997), do Elton John, um dos grandes vocalistas da pop/music inglesa. Inclusive, para quem quiser escutá-la, basta acessar o seguinte endereço no site do Youtube: http://www.youtube.com/watch?v=J66QF_vgvXc
Aliás, esse CD também tem outra canção muito linda: I Can't Steer My Heart Clear Of You (faixa 10 do disco) – e também pode ser ouvida no Youtube, nesse link:
http://www.youtube.com/watch?NR=1&v=larMDOL91Ec
*** Enquanto eu passava essas linhas a limpo, lembrei-me de um texto antigo, que escrevi sob a influência espiritual de um certo filósofo brasileiro desencarnado. Então, deixo o mesmo na sequência, para abrilhantar esses escritos de hoje.
UNIVERSO
O Universo
É Uni verso.
É verso do Uni.
Plenitude... Em verso do Um!
O Todo em tudo está!
Mas nem tudo percebe o Todo.
O verso pode não perceber o Uni,
Mas o Um faz o verso no Todo.
Ele escreve no tecido cósmico
Com as letras das estrelinhas.
Ele é o Sol dos sóis.
Na vida cósmica, o Uni verso!
Nos sonhos do Todo,
O Multiverso.
Em cada ser, o verso
Escrito pelo Um em todos!
Na Multiverso, um show de versos.
Tantos planos e dimensões,
Tantos seres e estrelas,
Tudo verso desse Um.
Em cima e embaixo, à esquerda e à direita,
Na frente e atrás, versos...
Seres vivos, formados nas estrelas...
Versos do Um, escritos nos céus.
Quantas saudades das estrelas!
Lembranças de outros versos,
E de antigos colóquios com os sóis,
Versos nucleares do Um em fogo.
Quantas saudades dos irmãos siderais,
Versos do Todo em outros orbes.
Versos-Irmãos do fogo estelar
Que crepita junto - no coração do Um!
Não parece, mas estamos juntos!
Os versos são do Uni.
Universo... Uni verso.
Tudo é Um!
Estrelas e homens, versos vivos...
Forjados no fogo que crepita
No coração da vida universal.
Todos somos Um!
O Uni... Os versos... Os seres...
As estrelas e os homens... Fogos vivos.
O Multiverso, a interdimensionalidade...
O Um em tudo!
O Todo é!
Em tudo.
O Uni verso
Verso do Todo em nós!
Wagner Borges – eterno neófito do Todo...
Extraído de: http://www.stum.com.br/conteudo/conteudo.asp?id=11752
sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
Cadinho de Criatividade
Poderia parodiar Lavoisier: “Nada se cria, tudo se copia", à guisa de desculpa. Porém, sou contra o plágio!
Mas, acho que recolher informações e depois adaptá-las - usando a massa cinzenta -, tem algum mérito.
No mínimo, é um exercício mental, onde o reflexo da realidade é burilado pela minha imaginação.
E quando o fogo da criação se aviva, ocorre uma ebulição interna que, enfim, derrama-se em letras e acalma o meu espírito.
Temporariamente, é claro!
Mas, acho que recolher informações e depois adaptá-las - usando a massa cinzenta -, tem algum mérito.
No mínimo, é um exercício mental, onde o reflexo da realidade é burilado pela minha imaginação.
E quando o fogo da criação se aviva, ocorre uma ebulição interna que, enfim, derrama-se em letras e acalma o meu espírito.
Temporariamente, é claro!
Entre o Bem e o Mal
Quem não for irrepreensível
é cúmplice do todo mal,
é cúmplice do todo mal,
e quem não for absolutamente perverso
pode participar de todo bem.
pode participar de todo bem.
A Chave Dos Grandes Mistérios
Por Eliphas Levi Tetragrama
Dúvidas
A necessidade de crer liga-se estreitamente à necessidade de amar.
Por isso, as almas têm necessidade de comungar com as mesmas esperanças e com o mesmo amor.
As crenças isoladas não passam de dúvidas.
Por isso, as almas têm necessidade de comungar com as mesmas esperanças e com o mesmo amor.
As crenças isoladas não passam de dúvidas.
Língua Viva
Mente captus.
Privado de entendimento.
Homines sunt nomine, non re.
São homens de nome, não de fato.
"Alpha Omegaque sum, Initium Finesque," Deus dicit, "qui est et qui fuit et qui venire est, Omnipotens."
"I am the Alpha and the Omega, the Beginning and the End," says the Lord, "who is and who was and who is to come, the Almighty."
"Eu sou o Alpha e o Ômega, o Início e o Fim," disse Deus, "Aquele que É, Aquele que Foi e Aquele que Virá a Ser, Onipotente."
Memento, homo, quis puluis es et in pulverem reverteris
Lembra-ate, ó homem, de que és pó e ao pó hás de voltar.
Quis avem ullam non amat?
Who doesn't like any bird?
Quem não gosta de aves?
Te amo. Tune me amas?
I love you. Do you love me?
Há diferença em quem pisa em formiga Por querer e Sem querer.
Visite Interiorem Terrae Retificandoque Invenies Occultum Lapidem
terrae = palavra "terra" = terra, mundo.
adjetivo? da terra, do mundo interiorae terrae?
ou ablative = por retificar ou retificando
Privado de entendimento.
Homines sunt nomine, non re.
São homens de nome, não de fato.
"Alpha Omegaque sum, Initium Finesque," Deus dicit, "qui est et qui fuit et qui venire est, Omnipotens."
"I am the Alpha and the Omega, the Beginning and the End," says the Lord, "who is and who was and who is to come, the Almighty."
"Eu sou o Alpha e o Ômega, o Início e o Fim," disse Deus, "Aquele que É, Aquele que Foi e Aquele que Virá a Ser, Onipotente."
Memento, homo, quis puluis es et in pulverem reverteris
Lembra-ate, ó homem, de que és pó e ao pó hás de voltar.
Quis avem ullam non amat?
Who doesn't like any bird?
Quem não gosta de aves?
Te amo. Tune me amas?
I love you. Do you love me?
Há diferença em quem pisa em formiga Por querer e Sem querer.
Visite Interiorem Terrae Retificandoque Invenies Occultum Lapidem
- interiorae terrae = mundos interiores
- verbo "visere" = visitar
- interiorem = palavra "interior" = íntimo, interior.
terrae = palavra "terra" = terra, mundo.
adjetivo? da terra, do mundo interiorae terrae?
- retificandoque - palavra "rectificare" = retificar, regular, controlar
ou ablative = por retificar ou retificando
- invenies = verbo “invenire” = encontrar, descobrir.
- occultum = palavra"occultus" = oculto.
- lapidem = palavra "lapidarium" = pedra
sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
Dentre todas as almas já criadas
"Of all the Souls that stand create –
I have elected – One –
When Sense from Spirit - files away –
And Subterfuge – is done –
When that which is – and that which was –
Apart - intrinsic – stand –
And this brief Drama in the flesh –
Is shifted – like a Sand –
When Figures show their royal Front –
And Mists – are carved away,
Behold the Atom – I preferred –
To all the lists of Clay!"
- by Emily Dickinson
I have elected – One –
When Sense from Spirit - files away –
And Subterfuge – is done –
When that which is – and that which was –
Apart - intrinsic – stand –
And this brief Drama in the flesh –
Is shifted – like a Sand –
When Figures show their royal Front –
And Mists – are carved away,
Behold the Atom – I preferred –
To all the lists of Clay!"
- by Emily Dickinson
sábado, 3 de abril de 2010
Força Astral - Saint Seiya
Dentro das estrelas
Há uma legião
Pronta pra usar
A força do coração
Se a paz na Terra
Sofre um arranhão
Eles vêm lutar
Em nome da união
Cavaleiros do Zodíaco
Têm a força astral
Se o inimigo é demoníaco
Sua luta é mortal
Cada Cavaleiro
Tem que proteger,
Como um guardião,
Aquele que merecer
Quando o mundo inteiro
For o ideal,
Eles voltarão
À sua estrela natal
Há uma legião
Pronta pra usar
A força do coração
Se a paz na Terra
Sofre um arranhão
Eles vêm lutar
Em nome da união
Cavaleiros do Zodíaco
Têm a força astral
Se o inimigo é demoníaco
Sua luta é mortal
Cada Cavaleiro
Tem que proteger,
Como um guardião,
Aquele que merecer
Quando o mundo inteiro
For o ideal,
Eles voltarão
À sua estrela natal
quinta-feira, 1 de abril de 2010
Não importa o que fizeram de mim. O que importa é o que eu faço com o que fizeram de mim - Jean-Paul Sartre
"Por um pouco não caí na armadilha do espelho. Evito-o, mas é para tropeçar na armadilha do vidro: desocupado, de mãos a abanar, aproximo-me da janela. As obras, a paliçada, a estação velha - a estação velha, a paliçada, as obras. Bocejo com tanta força que me vem uma lágrima aos olhos. Tenho na mão direita o cachimbo e na esquerda a bolsa do tabaco. Era preciso encher o cachimbo. Mas falta-me a coragem. Deixo cair os braços, encosto a testa ao vidro. Aquela velha, além, irrita-me. Vai num choutozinho teimoso, de olhos no vago. Às vezes pára com um ar amedrontado, como se um perigo invisível tivesse roçado por ela. Ei-la por baixo da minha janela; o vento cola-lhe as saias aos joelhos. Pára, compõe o lenço. Tremem-lhe as mãos. Lá vai outra vez: agora vejo-a de costas. Velho bicho-de-conta. Suponho que vai virar à direita, para o Boulevard Noir. Tem ainda uns cem metros a percorrer, para o que precisará, pelo andar com que vai, duns bons dez minutos; dez minutos durante os quais ficarei como estou, a olhar para ela, de testa colada ao vidro. Vai parar vinte vezes, retomar a marcha, parar outra vez...
Vejo o futuro. Está ali, pousado na rua, mais pálido um tudo nada que o presente. Que necessidade tem de se realizar? Que vantagem é que isto lhe dará? A velha afasta-se, trôpega, pára, compõe uma madeixa que lhe saiu de debaixo do lenço. Recomeça a andar: ainda agora estava além, agora está aqui... torna-se tudo confuso: eu vejo ou prevejo os gestos dela? Já não distingo o presente do futuro, e, todavia, há uma duração, uma realização, que se opera pouco a pouco; a velha avança na sua deserta, desloca os seus grandes sapatos de homem. É isso o tempo inteiramente nu, que acede lentamente à existência, se faz esperar, e que, quando chega, nos enfastia, porque conhecemos então que já estava ali havia muito. A velha aproxima-se da esquina da rua; é apenas, agora, um montinho de pano preto. Pois bem, sim, concedo, há nisto algo de novo: ela não estava ali há bocadinho. Mas é um novo desbotado, sem viço, que nunca poderá surpreender. A velha vai dobrar a esquina da rua, leva imenso tempo a dobrá-la - uma eternidade."
Jean-Paul Sartre
A Náusea
Publicações Europa-América, 1976
Tradução de António Coimbra Martins
Em "A Náusea", Sartre nos mostra Antoine Roquentin, um historiador letrado e viajado, que chega à cidade de Bouville ("boul" indicando "lama" e metaforicamente "impureza") a fim de escrever a biografia do marquês de Rollebon, figura pitoresca e de excentricidade fascinante, que vivera na cidade durante o século XVIII. Ao iniciar seus trabalhos, logo se desencanta de forma irreversível não só pela biografia, como também pela própria sociedade e condições humanas com as quais se depara em Bouville. Roquentin é, então, acometido por uma (a priori) estranha sensação de aversão ao ser humano e sua condição existencial - a "náusea". Cercada de um niilismo exacerbado e elucubrações de alta profundidade intelectual, "A Náusea" nos mostra um protagonista despadronizado e repelido pelas próprias contestações que faz a respeito da existência e sua falta de sentido, ou seja, a respeito da gratuidade e ilogicidade da existência, por si só desprovida de essência. Trata-se, portanto, da saga de um personagem conturbado e por vezes beirando a loucura, tal é a nudez existencial a que ele se expõe.
continua...
Mecanismos de busca essencial
Como dito, para Antoine Roquentin a existência é gratuita e ilógica e essa constatação por cada um de nós é algo terrível e fora de aceitabilidade. Decorre dessa falta de essência verdadeira uma busca de cada ser humano por sua essência artificial e iludida, havendo, para esse fim, uma série de mecanismos que tornam a existência mais suportável.
Um desses mecanismos próprios de cada um é o que ele chama de "captura do tempo". Trata-se de uma organização memorial para tornar pequenos fatos, simples existências, marcos de um sentimento aventureiro, fazendo desse "grande" fato um polarizador atrativo dos fatos precedentes, como se esses tivessem levado ao grande fim. Dessa forma, organiza-se a memória humana a partir de fins, na ordem inversa. Esse mecanismo é apontado por Roquentin como uma poderosa instrumentação da mentira, a qual ele mesmo usou sem se dar conta, num ato involuntário de sua própria condição de homem.
Outro mecanismo elucidado pelo protagonista é o mundo do conhecimento e das ciências, criado pelas "grandes mentes" ainda presas em sua busca essencial. Esse mundo, que trata da origem das espécies, da conservação da energia no universo e chega a conferir uma essência "preguiçosa" até às janelas, "com seu índice de refração", é ilusório e torna o ser humano um conhecedor de seu mundo, um dominador de si mesmo e dos outros, num processo de profunda ilusão. Fazendo uma analogia à alegoria da caverna, de Platão, o homem imagina-se conhecedor de todo um universo, enquanto, na verdade, busca conhecer minuciosamente cada parte (por menor que seja) de sua caverna, sem jamais vislumbrar seu exterior. É mais um engano, sadio para a manutenção da existência.
Um outro mecanismo apontado é o de ordenamento das glórias passadistas pela burguesia acrítica e inábil para a contestação meditativa. Assim, glórias de outras gerações, baseadas no capital e no valor epidérmico do mundo, são relembradas de forma a conferir uma essência, uma lógica, à existência dos burgueses do presente. Esse mecanismo detestável a Roquentin lhe rouba críticas muito contundentes, chamando de "salafrários" a todos os burgueses de Bouville, constituintes desse espécime humano alienado.
Humanismo x Existencialismo
Uma das únicas personagens com quem Antoine Roquentin se relaciona no livro é o Autodidata, um humanista ferrenho que aprendeu grande parte de seu vário conhecimento nos livros da biblioteca municipal, onde trabalha. De orientação filosófica bastante adversa à de Roquentin, ele representa uma personificação do Humanismo. Resulta dos encontros dos dois na biblioteca uma série de discussões de alta profundidade intelectual, num gládio de alto nível entre as duas posturas - a do Humanismo (representada pelo Autodidata, credor das capacidades humanas diferenciais) e a do Existencialismo (representada por Roquentin, niilista, misantrópica e repleta de meditações pessimistas). Após discussões severas, o protagonista Roquentin chega, entretanto, à conclusão de que não vale mais a pena discutir, pois a mente do Autodidata definitivamente não está preparada nem disposta a ouvir seus intricados conceitos, os quais seriam a perdição absoluta de qualquer humanista. Um episódio bastante interessante a ser citado e que ocorre durante um dos encontros dos dois na biblioteca municipal é a morte de uma mosca, esmagada por Roquentin em frente ao Autodidata. Ignorando os pedidos do bibliotecário, Roquentin esmaga a mosca e declara consternado: "Simplesmente libertei-a de sua existência, era um favor a prestar a ela!". É, sem dúvida, um episódio que deixa bem clara a melancolia advinda do existencialismo sartriano.
Dialogando com Descartes
Da célebre frase "Penso, logo existo", Sartre, pela voz de Antoine Roquentin, faz um aprofundamento filosófico bem à maneira do Existencialismo, do qual Sartre é figura proeminente. Assim, para o protagonista, a consciência da existência, o sentir-se existir, advém do fato do pensamento, ou seja, à medida que se pensa, sente-se existir. Essa consciência é algo horrível para Roquentin e torna-se ainda pior quando ele constata que a única forma para fugir à existência é fugir ao pensamento. Mas nos perguntamos: como fugir ao pensamento se a necessidade de fuga já é um pensamento, que, como qualquer outro, nos reconduz à existência? Estamos presos, portanto, à existência, pois o caminho do pensamento e a chegada ao sentimento de existir são indesvencilháveis. Eis aí uma bela explicação à referida "náusea", que intitula a obra, pois quem suportaria estar perfeitamente cônscio de sua prisão sem, ao menos, sentir-se "nauseado"?
Música e Existencialismo
Logo no início da obra, Roquentin é bruscamente retirado de sua incessante náusea por uma composição jazzística de nome "Some of These Days". A princípio, essa correlação entre alívio e música é bastante misteriosa para o protagonista, mas, aos poucos, ele acaba por entender sua razão. Depois, analisando a atitude daqueles que ele chama de "imbecis", ou seja, aqueles que vão às salas de concertos buscando o esquecimento dos problemas ou aqueles que buscam superar suas crises com os "Prelúdios de Chopin", Roquentin conclui que essas pessoas tentam se deixar tocar pela música, como se essa fosse capaz de penetrar os poros do corpo e os vazios da mente, provocando uma mudança de sensações. Na verdade, isso pode ser apontado como mais um mecanismo de esquiva da existência penosa e intratável, de forma que, ao invés de sofrer pura e simplesmente, cada ser humano busca um sofrimento ritmado, melódico, ou como o próprio Roquentin infere: "É preciso sofrer em compasso". Ele vê-se, portanto, inserido nesse contexto de humanidade, tendo sofrido do mesmo engano que qualquer outro ser humano sofre, ao deixar-se invadir pela música tantas vezes citada "Some of These Days".
A verdadeira existência
Ao final da obra, após ter reencontrado sua mulher Anny, pela qual ainda pensava nutrir fortes sentimentos, Antoine Roquentin descobre que já não havia entre eles mais nada, exceto a simples repugnância entre quaisquer duas existências, o que o abala extremamente e o leva e abandonar Bouville definitivamente. Antes de partir, entretanto, ele termina por fazer suas reflexões mais escaldantes de toda a obra. Usando de sua ampla visão e conhecimentos, ele divaga sobre o que é a existência definitiva e as relações entre as existências simplórias que encontramos por toda parte, sempre à espreita.
Para ele, por exemplo, a idéia da existência de uma árvore passa a ser gratuita e absurda como qualquer outra existência e o absurdo reside no próprio fato de se existir, isto é, torna-se um absurdo à medida que se existe, pois a existência é desprovida de uma lógica que a fundamente. Já no campo da matemática, uma circunferência encontra em si mesma uma lógica definida e clara - o giro completo de um segmento de reta lhe confere seu fundamento. Logo, o que existe é absurdo exatamente pelo fato de existir e deixa-se o absurdo à medida que se deixa a existência. Também o tempo é visto de uma forma intrigante, sendo nada mais nada menos que a nossa percepção sensitiva da mudança entre duas existências. O tempo, pouco conceituável fisicamente, torna-se filosoficamente algo de simplicidade interessante - entre duas existências e uma observação externa, configura-se a noção de tempo.
Para selar o pessimismo que é detonado a cada página, Roquentin diz ainda que, algum dia, ele vai esbarrar nas ruas com homens cujas línguas estejam transformadas em lacraias e suas feições completamente animalizadas, pois, em sua visão, a igualdade de todas as existências poderia tornar os homens cada vez mais "existentes", simplesmente "existentes", como as próprias lacraias o são. O marquês de Rollebon, origem de sua vinda a Bouville, tornara-se, para ele, uma simples fuga de si mesmo, um homem buscando abandonar sua existência e mergulhar na de outro, numa tentativa naturalmente frustrada. Uma das últimas coisas que ele faz em Bouville, antes de tomar seu trem, é sentar-se num banco e observar as existências que o rodeiam, seja a de um lago, a de uma árvore ou a de cada pessoa que ele observa.
Devemos ter em vista, ainda, que "A Náusea" é uma obra que cresceu numa mente inquieta e repleta de conceitos complicadíssimos e, até certo ponto, chocantes - a mente de Sartre. Cresceu também num solo fértil para tais contestações existenciais - um palco beligerante que encaminhava a Segunda Guerra Mundial (iniciada em 1939, um ano após a publicação da obra). Inegavelmente, a obra traz conceitos revolucionários e dissonantes de qualquer forma filosófica precedente, sendo amada por uns e renegada por outros, sem, todavia, perder sua importância no cenário da filosofia do século XX.
Sobre o autor: Marcelo Sobrinho Mendonça, crítico, interessado em expôr uma visão do cotidiano. Publica artigos sobre literatura e filosofia.
Vejo o futuro. Está ali, pousado na rua, mais pálido um tudo nada que o presente. Que necessidade tem de se realizar? Que vantagem é que isto lhe dará? A velha afasta-se, trôpega, pára, compõe uma madeixa que lhe saiu de debaixo do lenço. Recomeça a andar: ainda agora estava além, agora está aqui... torna-se tudo confuso: eu vejo ou prevejo os gestos dela? Já não distingo o presente do futuro, e, todavia, há uma duração, uma realização, que se opera pouco a pouco; a velha avança na sua deserta, desloca os seus grandes sapatos de homem. É isso o tempo inteiramente nu, que acede lentamente à existência, se faz esperar, e que, quando chega, nos enfastia, porque conhecemos então que já estava ali havia muito. A velha aproxima-se da esquina da rua; é apenas, agora, um montinho de pano preto. Pois bem, sim, concedo, há nisto algo de novo: ela não estava ali há bocadinho. Mas é um novo desbotado, sem viço, que nunca poderá surpreender. A velha vai dobrar a esquina da rua, leva imenso tempo a dobrá-la - uma eternidade."
Jean-Paul Sartre
A Náusea
Publicações Europa-América, 1976
Tradução de António Coimbra Martins
Em "A Náusea", Sartre nos mostra Antoine Roquentin, um historiador letrado e viajado, que chega à cidade de Bouville ("boul" indicando "lama" e metaforicamente "impureza") a fim de escrever a biografia do marquês de Rollebon, figura pitoresca e de excentricidade fascinante, que vivera na cidade durante o século XVIII. Ao iniciar seus trabalhos, logo se desencanta de forma irreversível não só pela biografia, como também pela própria sociedade e condições humanas com as quais se depara em Bouville. Roquentin é, então, acometido por uma (a priori) estranha sensação de aversão ao ser humano e sua condição existencial - a "náusea". Cercada de um niilismo exacerbado e elucubrações de alta profundidade intelectual, "A Náusea" nos mostra um protagonista despadronizado e repelido pelas próprias contestações que faz a respeito da existência e sua falta de sentido, ou seja, a respeito da gratuidade e ilogicidade da existência, por si só desprovida de essência. Trata-se, portanto, da saga de um personagem conturbado e por vezes beirando a loucura, tal é a nudez existencial a que ele se expõe.
continua...
Mecanismos de busca essencial
Como dito, para Antoine Roquentin a existência é gratuita e ilógica e essa constatação por cada um de nós é algo terrível e fora de aceitabilidade. Decorre dessa falta de essência verdadeira uma busca de cada ser humano por sua essência artificial e iludida, havendo, para esse fim, uma série de mecanismos que tornam a existência mais suportável.
Um desses mecanismos próprios de cada um é o que ele chama de "captura do tempo". Trata-se de uma organização memorial para tornar pequenos fatos, simples existências, marcos de um sentimento aventureiro, fazendo desse "grande" fato um polarizador atrativo dos fatos precedentes, como se esses tivessem levado ao grande fim. Dessa forma, organiza-se a memória humana a partir de fins, na ordem inversa. Esse mecanismo é apontado por Roquentin como uma poderosa instrumentação da mentira, a qual ele mesmo usou sem se dar conta, num ato involuntário de sua própria condição de homem.
Outro mecanismo elucidado pelo protagonista é o mundo do conhecimento e das ciências, criado pelas "grandes mentes" ainda presas em sua busca essencial. Esse mundo, que trata da origem das espécies, da conservação da energia no universo e chega a conferir uma essência "preguiçosa" até às janelas, "com seu índice de refração", é ilusório e torna o ser humano um conhecedor de seu mundo, um dominador de si mesmo e dos outros, num processo de profunda ilusão. Fazendo uma analogia à alegoria da caverna, de Platão, o homem imagina-se conhecedor de todo um universo, enquanto, na verdade, busca conhecer minuciosamente cada parte (por menor que seja) de sua caverna, sem jamais vislumbrar seu exterior. É mais um engano, sadio para a manutenção da existência.
Um outro mecanismo apontado é o de ordenamento das glórias passadistas pela burguesia acrítica e inábil para a contestação meditativa. Assim, glórias de outras gerações, baseadas no capital e no valor epidérmico do mundo, são relembradas de forma a conferir uma essência, uma lógica, à existência dos burgueses do presente. Esse mecanismo detestável a Roquentin lhe rouba críticas muito contundentes, chamando de "salafrários" a todos os burgueses de Bouville, constituintes desse espécime humano alienado.
Humanismo x Existencialismo
Uma das únicas personagens com quem Antoine Roquentin se relaciona no livro é o Autodidata, um humanista ferrenho que aprendeu grande parte de seu vário conhecimento nos livros da biblioteca municipal, onde trabalha. De orientação filosófica bastante adversa à de Roquentin, ele representa uma personificação do Humanismo. Resulta dos encontros dos dois na biblioteca uma série de discussões de alta profundidade intelectual, num gládio de alto nível entre as duas posturas - a do Humanismo (representada pelo Autodidata, credor das capacidades humanas diferenciais) e a do Existencialismo (representada por Roquentin, niilista, misantrópica e repleta de meditações pessimistas). Após discussões severas, o protagonista Roquentin chega, entretanto, à conclusão de que não vale mais a pena discutir, pois a mente do Autodidata definitivamente não está preparada nem disposta a ouvir seus intricados conceitos, os quais seriam a perdição absoluta de qualquer humanista. Um episódio bastante interessante a ser citado e que ocorre durante um dos encontros dos dois na biblioteca municipal é a morte de uma mosca, esmagada por Roquentin em frente ao Autodidata. Ignorando os pedidos do bibliotecário, Roquentin esmaga a mosca e declara consternado: "Simplesmente libertei-a de sua existência, era um favor a prestar a ela!". É, sem dúvida, um episódio que deixa bem clara a melancolia advinda do existencialismo sartriano.
Dialogando com Descartes
Da célebre frase "Penso, logo existo", Sartre, pela voz de Antoine Roquentin, faz um aprofundamento filosófico bem à maneira do Existencialismo, do qual Sartre é figura proeminente. Assim, para o protagonista, a consciência da existência, o sentir-se existir, advém do fato do pensamento, ou seja, à medida que se pensa, sente-se existir. Essa consciência é algo horrível para Roquentin e torna-se ainda pior quando ele constata que a única forma para fugir à existência é fugir ao pensamento. Mas nos perguntamos: como fugir ao pensamento se a necessidade de fuga já é um pensamento, que, como qualquer outro, nos reconduz à existência? Estamos presos, portanto, à existência, pois o caminho do pensamento e a chegada ao sentimento de existir são indesvencilháveis. Eis aí uma bela explicação à referida "náusea", que intitula a obra, pois quem suportaria estar perfeitamente cônscio de sua prisão sem, ao menos, sentir-se "nauseado"?
Música e Existencialismo
Logo no início da obra, Roquentin é bruscamente retirado de sua incessante náusea por uma composição jazzística de nome "Some of These Days". A princípio, essa correlação entre alívio e música é bastante misteriosa para o protagonista, mas, aos poucos, ele acaba por entender sua razão. Depois, analisando a atitude daqueles que ele chama de "imbecis", ou seja, aqueles que vão às salas de concertos buscando o esquecimento dos problemas ou aqueles que buscam superar suas crises com os "Prelúdios de Chopin", Roquentin conclui que essas pessoas tentam se deixar tocar pela música, como se essa fosse capaz de penetrar os poros do corpo e os vazios da mente, provocando uma mudança de sensações. Na verdade, isso pode ser apontado como mais um mecanismo de esquiva da existência penosa e intratável, de forma que, ao invés de sofrer pura e simplesmente, cada ser humano busca um sofrimento ritmado, melódico, ou como o próprio Roquentin infere: "É preciso sofrer em compasso". Ele vê-se, portanto, inserido nesse contexto de humanidade, tendo sofrido do mesmo engano que qualquer outro ser humano sofre, ao deixar-se invadir pela música tantas vezes citada "Some of These Days".
A verdadeira existência
Ao final da obra, após ter reencontrado sua mulher Anny, pela qual ainda pensava nutrir fortes sentimentos, Antoine Roquentin descobre que já não havia entre eles mais nada, exceto a simples repugnância entre quaisquer duas existências, o que o abala extremamente e o leva e abandonar Bouville definitivamente. Antes de partir, entretanto, ele termina por fazer suas reflexões mais escaldantes de toda a obra. Usando de sua ampla visão e conhecimentos, ele divaga sobre o que é a existência definitiva e as relações entre as existências simplórias que encontramos por toda parte, sempre à espreita.
Para ele, por exemplo, a idéia da existência de uma árvore passa a ser gratuita e absurda como qualquer outra existência e o absurdo reside no próprio fato de se existir, isto é, torna-se um absurdo à medida que se existe, pois a existência é desprovida de uma lógica que a fundamente. Já no campo da matemática, uma circunferência encontra em si mesma uma lógica definida e clara - o giro completo de um segmento de reta lhe confere seu fundamento. Logo, o que existe é absurdo exatamente pelo fato de existir e deixa-se o absurdo à medida que se deixa a existência. Também o tempo é visto de uma forma intrigante, sendo nada mais nada menos que a nossa percepção sensitiva da mudança entre duas existências. O tempo, pouco conceituável fisicamente, torna-se filosoficamente algo de simplicidade interessante - entre duas existências e uma observação externa, configura-se a noção de tempo.
Para selar o pessimismo que é detonado a cada página, Roquentin diz ainda que, algum dia, ele vai esbarrar nas ruas com homens cujas línguas estejam transformadas em lacraias e suas feições completamente animalizadas, pois, em sua visão, a igualdade de todas as existências poderia tornar os homens cada vez mais "existentes", simplesmente "existentes", como as próprias lacraias o são. O marquês de Rollebon, origem de sua vinda a Bouville, tornara-se, para ele, uma simples fuga de si mesmo, um homem buscando abandonar sua existência e mergulhar na de outro, numa tentativa naturalmente frustrada. Uma das últimas coisas que ele faz em Bouville, antes de tomar seu trem, é sentar-se num banco e observar as existências que o rodeiam, seja a de um lago, a de uma árvore ou a de cada pessoa que ele observa.
Devemos ter em vista, ainda, que "A Náusea" é uma obra que cresceu numa mente inquieta e repleta de conceitos complicadíssimos e, até certo ponto, chocantes - a mente de Sartre. Cresceu também num solo fértil para tais contestações existenciais - um palco beligerante que encaminhava a Segunda Guerra Mundial (iniciada em 1939, um ano após a publicação da obra). Inegavelmente, a obra traz conceitos revolucionários e dissonantes de qualquer forma filosófica precedente, sendo amada por uns e renegada por outros, sem, todavia, perder sua importância no cenário da filosofia do século XX.
Sobre o autor: Marcelo Sobrinho Mendonça, crítico, interessado em expôr uma visão do cotidiano. Publica artigos sobre literatura e filosofia.
quinta-feira, 2 de abril de 2009
O Convite (by Oriah Mountain Dreamer)
"Não me interessa saber como você ganha a vida. Quero saber o que mais deseja e se ousa sonhar em satisfazer os anseios do seu coração.
Não me interessa saber sua idade. Quero saber se você correria o risco de parecer tolo por amor, pelo seu sonho, pela aventura de estar vivo.
Não me interessa saber que planetas estão em quadratura com sua lua. O que eu quero saber é se você já foi até o fundo de sua própria tristeza, se as traições da vida o enriqueceram ou se você se retraiu e se fechou, com medo de mais dor. Quero saber se você consegue conviver com a dor, a minha ou a sua e a minha, sem tentar escondê-la, disfarçá-la ou remediá-la.
Quero saber se você é capaz de conviver com a alegria, a minha ou a sua, de dançar com total abandono e deixar o êxtase penetrar até a ponta dos seus dedos, sem nos advertir que sejamos cuidadosos, que sejamos realistas, que nos lembremos das limitações da condição humana.
Não me interessa se a história que você mr conta é verdadeira. Quero saber se é capaz de desapontar o outro para se manter fiel a si mesmo. Se é capaz de suportar uma acusação de traição e não trair a sua própria alma, ou ser infiel e, mesmo assim, ser digno de confiança.
Quero saber se você é capaz de enxergar a beleza no dia-a-dia, ainda que ela não seja bonita, e fazer dela a fonte da sua vida.
Quero saber se você consegue viver com o fracasso, o seu e o meu, e ainda assim pôr-se de pé na beira do lago e gritar para o reflexo da lua cheia: "Sim!"
Não me interessa saber onde você mora ou quanto dinheiro tem. Quero saber se, após uma noite de tristeza e desespero, exausto e ferido até os ossos, é capaz de fazer o que precisa ser feito para alimentar seus filhos.
Não me interessa quem você conhece ou como chegou até aqui. Quero saber se vai permanecer no centro do fogo comigo sem recuar.
Não me interessa onde, o que ou com quem estudou. Quero saber o que o sustenta, no seu íntimo, quando tudo mais desmorona.
Quero saber se é capaz de ficar só consigo mesmo e se nos momento vazios realmente gosta da sua companhia."
Oriah Mountain Dreamer mora no Canadá. Formada em serviço social, trabalhou por muitos anos com adolescentes de rua, mulheres vítimas de violência e famílias em crise. Dedicou grande parte de sua vida a ensinar pessoas do mundo inteiro como viver de forma mais plena. Teve a oportunidade de estudar com índios americanos e aprender com eles fundamentos da medicina xamãnica. Oriah Mountain Dreamer, ou Sonhadora das Montanhas, significa aquela que gosta de expandir os limites e pode ajudar os outros a fazer o mesmo.
Não me interessa saber sua idade. Quero saber se você correria o risco de parecer tolo por amor, pelo seu sonho, pela aventura de estar vivo.
Não me interessa saber que planetas estão em quadratura com sua lua. O que eu quero saber é se você já foi até o fundo de sua própria tristeza, se as traições da vida o enriqueceram ou se você se retraiu e se fechou, com medo de mais dor. Quero saber se você consegue conviver com a dor, a minha ou a sua e a minha, sem tentar escondê-la, disfarçá-la ou remediá-la.
Quero saber se você é capaz de conviver com a alegria, a minha ou a sua, de dançar com total abandono e deixar o êxtase penetrar até a ponta dos seus dedos, sem nos advertir que sejamos cuidadosos, que sejamos realistas, que nos lembremos das limitações da condição humana.
Não me interessa se a história que você mr conta é verdadeira. Quero saber se é capaz de desapontar o outro para se manter fiel a si mesmo. Se é capaz de suportar uma acusação de traição e não trair a sua própria alma, ou ser infiel e, mesmo assim, ser digno de confiança.
Quero saber se você é capaz de enxergar a beleza no dia-a-dia, ainda que ela não seja bonita, e fazer dela a fonte da sua vida.
Quero saber se você consegue viver com o fracasso, o seu e o meu, e ainda assim pôr-se de pé na beira do lago e gritar para o reflexo da lua cheia: "Sim!"
Não me interessa saber onde você mora ou quanto dinheiro tem. Quero saber se, após uma noite de tristeza e desespero, exausto e ferido até os ossos, é capaz de fazer o que precisa ser feito para alimentar seus filhos.
Não me interessa quem você conhece ou como chegou até aqui. Quero saber se vai permanecer no centro do fogo comigo sem recuar.
Não me interessa onde, o que ou com quem estudou. Quero saber o que o sustenta, no seu íntimo, quando tudo mais desmorona.
Quero saber se é capaz de ficar só consigo mesmo e se nos momento vazios realmente gosta da sua companhia."
Oriah Mountain Dreamer mora no Canadá. Formada em serviço social, trabalhou por muitos anos com adolescentes de rua, mulheres vítimas de violência e famílias em crise. Dedicou grande parte de sua vida a ensinar pessoas do mundo inteiro como viver de forma mais plena. Teve a oportunidade de estudar com índios americanos e aprender com eles fundamentos da medicina xamãnica. Oriah Mountain Dreamer, ou Sonhadora das Montanhas, significa aquela que gosta de expandir os limites e pode ajudar os outros a fazer o mesmo.
quarta-feira, 18 de março de 2009
Memórias de Jung
"Os assuntos com que Jung ocupou-se surgiram em parte do fundo pessoal que é vividamente descrito em sua autobiografia, "Memórias, Sonhos, Reflexões" (1961). Ao longo de sua vida Jung experimentou sonhos periódicos e visões com notáveis características mitológicas e religiosas, os quais despertaram o interesse por mitos, sonhos e a psicologia da religião. Ao lado destas experiências, certos fenômenos parapsicológicos emergiam, sempre para lhe redobrar o espanto e o questionamento."
"Por muitos anos Jung sentiu possuir duas personalidades separadas: um ego público, exterior, que era envolvido com o mundo familiar, e um eu interno, secreto, que tinha uma proximidade especial para com Deus. Ele reconhecia ter herdado isso de sua mãe, que tinha a notável capacidade de 'ver homens e coisas tais como são'. A interação entre esses egos foi o tema central da sua vida pessoal e contribuiu mais tarde para a sua ênfase no esforço do indivíduo para integração e inteireza."
"Além disso, Jung viria a usar as escrituras como referência para a experiência interior de Deus, não como dogmas estáticos à espera de devoção muda, castradores do desenvolvimento pessoal. Ele lamentava que à religião faltasse o empirismo, que alimentaria a sede da personalidade n.º 1, e que às ciências naturais, que também tanto o fascinavam devido ao envolvimento com a realidade concreta, faltasse o significado, que saciaria a personalidade n.º 2. Os dois aspectos, religião e ciência, não se tocavam, daí sua constante insatisfação, devido ao desencontro das duas instâncias interiores. E foi dessa tentativa de saciar tanto um aspecto quanto ao outro, de fazer justiça ao ser como um todo, que decidiu formar-se em psiquiatria: 'Lá estava o campo comum da experiência dos dados biológicos e dados espirituais, que até então eu buscara inutilmente. Tratava-se, enfim, do lugar em que o encontro da natureza e do espírito se torna realidade'".
Trecho de Memórias:
“Surgiu-me a idéia de que Eros e o instinto de poder eram como que irmãos inimigos, filhos de um só pai, filhos de uma força psíquica que os motivava e - como a carga elétrica positiva e negativa - se manifestava na experiência sob a forma de oposição; o Eros, como patiens, e o instinto de poder como um agens, e vice-versa. O Eros recorre tantas vezes ao instinto de poder como o instinto de poder ao Eros. O que seria um destes instintos sem o outro? O homem, por um lado, sucumbe ao instinto e, por outro, procura dominá-lo. Freud mostra como o objeto sucumbe ao instinto. Alfred Adler, como o homem utiliza o instinto para violentar o objeto. Nietzsche, entregue a seu destino e sucumbindo a ele, precisou criar um "super-homem". Freud - tal era minha conclusão - deve ter sido de tal forma subjugado pelo poder do Eros, que procurou levá-lo, como um numen religioso, ao nível de dogma aere perennius (eterno). Isto não é um segredo para ninguém: Zaratustra é o anunciador de um evangelho e Freud chega a competir com a Igreja através de sua intenção de canonizar doutrinas e preceitos.
Se Freud tivesse apreciado melhor a verdade psicológica que faz da sexualidade algo de numinoso - ela é um Deus e um Diabo - não teria ficado prisioneiro de uma noção biológica mesquinha. E Nietzsche, com sua exuberância, talvez não tivesse caído fora do mundo se tivesse permanecido nos fundamentos da existência humana.
Cada vez que um acontecimento numinoso faz vibrar fortemente a alma, há perigo que se rompa o fio em que estamos suspensos. Então o ser humano pode cair num "sim" absoluto ou num "não" que também o é! O pêndulo do espírito oscila entre sentido e não-sentido, e não entre verdadeiro e falso. O perigo do numinoso é que ele impele aos extremos e então uma verdade modesta é tomada pela Verdade e um erro mínimo por uma aberração fatal. Tudo passa: o que ontem era verdade, hoje é erro, e o que antes de ontem era considerado um erro será talvez uma revelação amanhã... e isto é ainda mais válido na dimensão psicológica, acerca da qual, na realidade, sabemos pouquíssimo. Muitas vezes negligenciamos isto e estamos longe de levá-lo em conta: que nada, absolutamente nada existe, enquanto uma consciência, por restrita que seja - luz efêmera -, não o advirta.”
"Por muitos anos Jung sentiu possuir duas personalidades separadas: um ego público, exterior, que era envolvido com o mundo familiar, e um eu interno, secreto, que tinha uma proximidade especial para com Deus. Ele reconhecia ter herdado isso de sua mãe, que tinha a notável capacidade de 'ver homens e coisas tais como são'. A interação entre esses egos foi o tema central da sua vida pessoal e contribuiu mais tarde para a sua ênfase no esforço do indivíduo para integração e inteireza."
"Além disso, Jung viria a usar as escrituras como referência para a experiência interior de Deus, não como dogmas estáticos à espera de devoção muda, castradores do desenvolvimento pessoal. Ele lamentava que à religião faltasse o empirismo, que alimentaria a sede da personalidade n.º 1, e que às ciências naturais, que também tanto o fascinavam devido ao envolvimento com a realidade concreta, faltasse o significado, que saciaria a personalidade n.º 2. Os dois aspectos, religião e ciência, não se tocavam, daí sua constante insatisfação, devido ao desencontro das duas instâncias interiores. E foi dessa tentativa de saciar tanto um aspecto quanto ao outro, de fazer justiça ao ser como um todo, que decidiu formar-se em psiquiatria: 'Lá estava o campo comum da experiência dos dados biológicos e dados espirituais, que até então eu buscara inutilmente. Tratava-se, enfim, do lugar em que o encontro da natureza e do espírito se torna realidade'".
https://pt.wikipedia.org/wiki/Carl_Gustav_Jung
Trecho de Memórias:
“Surgiu-me a idéia de que Eros e o instinto de poder eram como que irmãos inimigos, filhos de um só pai, filhos de uma força psíquica que os motivava e - como a carga elétrica positiva e negativa - se manifestava na experiência sob a forma de oposição; o Eros, como patiens, e o instinto de poder como um agens, e vice-versa. O Eros recorre tantas vezes ao instinto de poder como o instinto de poder ao Eros. O que seria um destes instintos sem o outro? O homem, por um lado, sucumbe ao instinto e, por outro, procura dominá-lo. Freud mostra como o objeto sucumbe ao instinto. Alfred Adler, como o homem utiliza o instinto para violentar o objeto. Nietzsche, entregue a seu destino e sucumbindo a ele, precisou criar um "super-homem". Freud - tal era minha conclusão - deve ter sido de tal forma subjugado pelo poder do Eros, que procurou levá-lo, como um numen religioso, ao nível de dogma aere perennius (eterno). Isto não é um segredo para ninguém: Zaratustra é o anunciador de um evangelho e Freud chega a competir com a Igreja através de sua intenção de canonizar doutrinas e preceitos.
Se Freud tivesse apreciado melhor a verdade psicológica que faz da sexualidade algo de numinoso - ela é um Deus e um Diabo - não teria ficado prisioneiro de uma noção biológica mesquinha. E Nietzsche, com sua exuberância, talvez não tivesse caído fora do mundo se tivesse permanecido nos fundamentos da existência humana.
Cada vez que um acontecimento numinoso faz vibrar fortemente a alma, há perigo que se rompa o fio em que estamos suspensos. Então o ser humano pode cair num "sim" absoluto ou num "não" que também o é! O pêndulo do espírito oscila entre sentido e não-sentido, e não entre verdadeiro e falso. O perigo do numinoso é que ele impele aos extremos e então uma verdade modesta é tomada pela Verdade e um erro mínimo por uma aberração fatal. Tudo passa: o que ontem era verdade, hoje é erro, e o que antes de ontem era considerado um erro será talvez uma revelação amanhã... e isto é ainda mais válido na dimensão psicológica, acerca da qual, na realidade, sabemos pouquíssimo. Muitas vezes negligenciamos isto e estamos longe de levá-lo em conta: que nada, absolutamente nada existe, enquanto uma consciência, por restrita que seja - luz efêmera -, não o advirta.”
terça-feira, 17 de março de 2009
Texto 1 - Ego, o Falso Centro
"O primeiro ponto a ser compreendido é o ego.
Uma criança nasce sem qualquer conhecimento, sem qualquer consciência de seu próprio eu. E quando uma criança nasce, a primeira coisa da qual ela se torna consciente não é ela mesma; a primeira coisa da qual ela se torna consciente é o outro. Isso é natural, porque os olhos se abrem para fora, as mãos tocam os outros, os ouvidos escutam os outros, a língua saboreia a comida e o nariz cheira o exterior. Todos esses sentidos abrem-se para fora. O nascimento é isso.
Nascimento significa vir a esse mundo: o mundo exterior. Assim, quando uma criança nasce, ela nasce nesse mundo. Ela abre os olhos e vê os outros. O outro significa o tu.
Ela primeiro se torna consciente da mãe. Então, pouco a pouco, ela se torna consciente de seu próprio corpo. Esse também é o 'outro', também pertence ao mundo. Ela está com fome e passa a sentir o corpo; quando sua necessidade é satisfeita, ela esquece o corpo. É dessa maneira que a criança cresce.
Primeiro ela se torna consciente do você, do tu, do outro, e então, pouco a pouco, contrastando com você, com tu, ela se torna consciente de si mesma.
Essa consciência é uma consciência refletida. Ela não está consciente de quem ela é. Ela está simplesmente consciente da mãe e do que ela pensa a seu respeito. Se a mãe sorri, se a mãe aprecia a criança, se diz 'você é bonita', se ela a abraça e a beija, a criança sente-se bem a respeito de si mesma. Assim, um ego começa a nascer.
Através da apreciação, do amor, do cuidado, ela sente que é ela boa, ela sente que tem valor, ela sente que tem importância. Um centro está nascendo. Mas esse centro é um centro refletido. Ele não é o ser verdadeiro. A criança não sabe quem ela é; ela simplesmente sabe o que os outros pensa a seu respeito.
E esse é o ego: o reflexo, aquilo que os outros pensam. Se ninguém pensa que ela tem alguma utilidade, se ninguém a aprecia, se ninguém lhe sorri, então, também, um ego nasce - um ego doente, triste, rejeitado, como uma ferida, sentindo-se inferior, sem valor. Isso também é ego. Isso também é um reflexo.
Primeiro a mãe. A mãe, no início, significa o mundo. Depois os outros se juntarão à mãe, e o mundo irá crescendo. E quanto mais o mundo cresce, mais complexo o ego se torna, porque muitas opiniões dos outros são refletidas.
O ego é um fenômeno cumulativo, um subproduto do viver com os outros. Se uma criança vive totalmente sozinha, ela nunca chegará a desenvolver um ego. Mas isso não vai ajudar. Ela permanecerá como um animal. Isso não significa que ela virá a conhecer o seu verdadeiro eu, não.
O verdadeiro só pode ser conhecido através do falso, portanto, o ego é uma necessidade. Temos que passar por ele. Ele é uma disciplina. O verdadeiro só pode ser conhecido através da ilusão. Você não pode conhecer a verdade diretamente. Primeiro você tem que conhecer aquilo que não é verdadeiro. Primeiro você tem que encontrar o falso. Através desse encontro, você se torna capaz de conhecer a verdade. Se você conhece o falso como falso, a verdade nascerá em você.
O ego é uma necessidade; é uma necessidade social, é um subproduto social. A sociedade significa tudo o que está ao seu redor, não você, mas tudo aquilo que o rodeia. Tudo, menos você, é a sociedade. E todos refletem. Você irá à escola e o professor refletirá quem você é. Você fará amizade com as outras crianças e elas refletirão quem você é. Pouco a pouco, todos estarão adicionando algo ao seu ego, e todos estarão tentando modificá-lo, de modo que você não se torne um problema para a sociedade.
Eles não estão interessados em você. Eles estão interessados na sociedade. A sociedade está interessada nela mesma, e é assim que deveria ser. Eles não estão interessados no fato de que você deveria se tornar um conhecedor de si mesmo. Interessa-lhes que você se torne uma peça eficiente no mecanismo da sociedade. Você deveria ajustar-se ao padrão.
Assim, estão interessados em dar-lhe um ego que se ajuste à sociedade. Ensinam-lhe a moralidade. Moralidade significa dar-lhe um ego que se ajuste à sociedade. Se você for imoral, você será sempre um desajustado em um lugar ou outro...
Moralidade significa simplesmente que você deve se ajustar à sociedade. Se a sociedade estiver em guerra, a moralidade muda. Se a sociedade estiver em paz, existe uma moralidade diferente. A moralidade é uma política social. É diplomacia. E toda criança deve ser educada de tal forma que ela se ajuste à sociedade; e isso é tudo, porque a sociedade está interessada em membros eficientes. A sociedade não está interessada no fato de que você deveria chegar ao auto-conhecimento.
A sociedade cria um ego porque o ego pode ser controlado e manipulado. O eu nunca pode ser controlado e manipulado. Nunca se ouviu dizer que a sociedade estivesse controlando o eu - não é possível.
E a criança necessita de um centro; a criança está absolutamente inconsciente de seu próprio centro. A sociedade lhe dá um centro e a criança pouco a pouco fica convencida de que esse é o seu centro, o ego dado pela sociedade.
Uma criança volta para casa. Se ela foi o primeiro lugar de sua sala, a família inteira fica feliz. Você a abraça e beija; você a coloca sobre os ombros e começa a dançar e diz 'que linda criança! você é um motivo de orgulho para nós.' Você está dando um ego para ela, um ego sutil. E se a criança chega em casa abatida, fracassada, foi um fiasco na sala - ela não passou de ano ou tirou o último lugar, então ninguém a aprecia e a criança se sente rejeitada. Ela tentará com mais afinco na próxima vez, porque o centro se sente abalado.
O ego está sempre abalado, sempre à procura de alimento, de alguém que o aprecie. E é por isso que você está continuamente pedindo atenção.
Você obtém dos outros a idéia de quem você é. Não é uma experiência direta.
É dos outros que você obtém a idéia de quem você é. Eles modelam o seu centro. Mas esse centro é falso, enquanto que o centro verdadeiro está dentro de você. O centro verdadeiro não é da conta de ninguém. Ninguém o modela. Você vem com ele. Você nasce com ele.
Assim, você tem dois centros. Um centro com o qual você vem, que lhe é dado pela própria existência. Esse é o eu. E o outro centro, que é criado pela sociedade - o ego. Esse é algo falso - é um grande truque. Através do ego a sociedade está controlando você. Você tem que se comportar de uma certa maneira, porque somente assim a sociedade irá apreciá-lo. Você tem que caminhar de uma certa maneira; você tem que rir de uma certa maneira; você tem que seguir determinadas condutas, uma moralidade, um código. Somente assim a sociedade o apreciará, e se ela não o fizer, o seu ego ficará abalado. E quando o ego fica abalado, você já não sabe onde está, você já não sabe quem você é.
Os outros deram-lhe a idéia. E essa idéia é o ego. Tente entendê-lo o mais profundamente possível, porque ele tem que ser jogado fora. E a não ser que você o jogue fora, nunca será capaz de alcançar o eu. Por estar viciado no falso centro, você não pode se mover, e você não pode olhar para o eu. E lembre-se: vai haver um período intermediário, um intervalo, quando o ego estará se despedaçando, quando você não saberá quem você é, quando você não saberá para onde está indo; quando todos os limites se dissolverão. Você estará simplesmente confuso, um caos.
Devido a esse caos, você tem medo de perder o ego. Mas tem que ser assim. Temos que passar através do caos antes de atingir o centro verdadeiro. E se você for ousado, o período será curto. Se você for medroso e novamente cair no ego, e novamente começar a ajeitá-lo, então, o período pode ser muito, muito longo; muitas vidas podem ser desperdiçadas...
Até mesmo o fato de ser infeliz lhe dá a sensação de "eu sou". Afastando-se do que é conhecido, o medo toma conta; você começa sentir medo da escuridão e do caos - porque a sociedade conseguiu clarear uma pequena parte de seu ser... É o mesmo que penetrar numa floresta. Você faz uma pequena clareira, você limpa um pedaço de terra, você faz um cercado, você faz uma pequena cabana; você faz um pequeno jardim, um gramado, e você sente-se bem. Além de sua cerca - a floresta, a selva. Mas aqui dentro tudo está bem: você planejou tudo.
Foi assim que aconteceu. A sociedade abriu uma pequena clareira em sua consciência. Ela limpou apenas uma pequena parte completamente, e cercou-a. Tudo está bem ali. Todas as suas universidades estão fazendo isso. Toda a cultura e todo o condicionamento visam apenas limpar uma parte, para que ali você possa se sentir em casa.
E então você passa a sentir medo. Além da cerca existe perigo.
Além da cerca você é, tal como você é dentro da cerca - e sua mente consciente é apenas uma parte, um décimo de todo o seu ser. Nove décimos estão aguardando no escuro. E dentro desses nove décimos, em algum lugar, o seu centro verdadeiro está oculto.
Precisamos ser ousados, corajosos. Precisamos dar um passo para o desconhecido.
Por um certo tempo, todos os limite ficarão perdidos. Por um certo tempo, você vai se sentir atordoado. Por um certo tempo, você vai se sentir muito amedrontado e abalado, como se tivesse havido um terremoto.
Mas se você for corajoso e não voltar para trás, se você não voltar a cair no ego, mas for sempre em frente, existe um centro oculto dentro de você, um centro que você tem carregado por muitas vidas. Esse centro é a sua alma, o eu.
Uma vez que você se aproxime dele, tudo muda, tudo volta a se assentar novamente. Mas agora esse assentamento não é feito pela sociedade. Agora, tudo se torna um cosmos e não um caos, nasce uma nova ordem. Mas essa não é a ordem da sociedade - essa é a própria ordem da existência.
É o que Buda chama de Dhamma, Lao Tzu chama de Tao, Heráclito chama de Logos. Não é feita pelo homem. É a própria ordem da existência. Então, de repente tudo volta a ficar belo, e pela primeira vez, realmente belo, porque as coisas feitas pelo homem não podem ser belas. No máximo você pode esconder a feiúra delas, isso é tudo. Você pode enfeitá-las, mas elas nunca podem ser belas...
O ego tem uma certa qualidade: a de que ele está morto. Ele é de plástico. E é muito fácil obtê-lo, porque os outros o dão a você. Você não precisa procurar por ele; a busca não é necessária. Por isso, a menos que você se torne um buscador à procura do desconhecido, você ainda não terá se tornado um indivíduo. Você é simplesmente mais um na multidão. Você é apenas uma turba. Se você não tem um centro autêntico, como pode ser um indivíduo?
O ego não é individual. O ego é um fenômeno social - ele é a sociedade, não é você. Mas ele lhe dá um papel na sociedade, uma posição na sociedade. E se você ficar satisfeito com ele, você perderá toda a oportunidade de encontrar o eu. E por isso você é tão infeliz. Como você pode ser feliz com uma vida de plástico? Como você pode estar em êxtase ser bem-aventurado com uma vida falsa? E esse ego cria muitos tormentos. O ego é o inferno. Sempre que você estiver sofrendo, tente simplesmente observar e analisar, e você descobrirá que, em algum lugar, o ego é a causa do sofrimento. E o ego segue encontrando motivos para sofrer...
E assim as pessoas se tornam dependentes, umas das outras. É uma profunda escravidão. O ego tem que ser um escravo. Ele depende dos outros. E somente uma pessoa que não tenha ego é, pela primeira vez, um mestre; ele deixa de ser um escravo.
Tente entender isso. E comece a procurar o ego - não nos outros, isso não é da sua conta, mas em você. Toda vez que se sentir infeliz, imediatamente feche os olhos e tente descobrir de onde a infelicidade está vindo, e você sempre descobrirá que o falso centro entrou em choque com alguém.
Você esperava algo e isso não aconteceu. Você espera algo e justamente o contrário aconteceu - seu ego fica estremecido, você fica infeliz. Simplesmente olhe, sempre que estiver infeliz, tente descobrir a razão.
As causas não estão fora de você.
A causa básica está dentro de você - mas você sempre olha para fora, você sempre pergunta: 'Quem está me tornando infeliz?' 'Quem está causando a minha raiva?' 'Quem está causando a minha angústia?'
Se você olhar para fora, você não perceberá. Simplesmente feche os olhos e sempre olhe para dentro. A origem de toda a infelicidade, da raiva e da angústia, está oculta dentro de você, é o seu ego.
E se você encontrar a origem, será fácil ir além dela. Se você puder ver que é o seu próprio ego que lhe causa problemas, você vai preferir abandoná-lo - porque ninguém é capaz de carregar a origem da infelicidade, uma vez que a tenha entendido.
Mas lembre-se, não há necessidade de abandonar o ego. Você não o pode abandonar. E se você tentar abandoná-lo, simplesmente estará conseguindo um outro ego mais sutil, que diz: 'tornei-me humilde'...
Todo o caminho em direção ao divino, ao supremo, tem que passar através desse território do ego. O falso tem que ser entendido como falso. A origem da miséria tem que ser entendida como a origem da miséria - então ela simplesmente desaparece. Quando você sabe que ele é o veneno, ele desaparece. Quando você sabe que ele é o fogo, ele desaparece. Quando você sabe que esse é o inferno, ele desaparece.
E então você nunca diz: 'eu abandonei o ego'. Você simplesmente irá rir de toda essa história, dessa piada, pois você era o criador de toda essa infelicidade...
É difícil ver o próprio ego. É muito fácil ver o ego nos outros. Mas esse não é o ponto, você não os pode ajudar.
Tente ver o seu próprio ego. Simplesmente o observe.
Não tenha pressa em abandoná-lo, simplesmente o observe. Quanto mais você observa, mais capaz você se torna. De repente, um dia, você simplesmente percebe que ele desapareceu. E quando ele desaparece por si mesmo, somente então ele realmente desaparece. Porque não existe outra maneira. Você não pode abandoná-lo antes do tempo. Ele cai exatamente como uma folha seca.
Quando você tiver amadurecido através da compreensão, da consciência, e tiver sentido com totalidade que o ego é a causa de toda a sua infelicidade, um dia você simplesmente vê a folha seca caindo... e então o verdadeiro centro surge.
E esse centro verdadeiro é a alma, o eu, o deus, a verdade, ou como quiser chamá-lo. Você pode lhe dar qualquer nome, aquele que preferir."
OSHO, Além das Fronteiras da Mente.
Uma criança nasce sem qualquer conhecimento, sem qualquer consciência de seu próprio eu. E quando uma criança nasce, a primeira coisa da qual ela se torna consciente não é ela mesma; a primeira coisa da qual ela se torna consciente é o outro. Isso é natural, porque os olhos se abrem para fora, as mãos tocam os outros, os ouvidos escutam os outros, a língua saboreia a comida e o nariz cheira o exterior. Todos esses sentidos abrem-se para fora. O nascimento é isso.
Nascimento significa vir a esse mundo: o mundo exterior. Assim, quando uma criança nasce, ela nasce nesse mundo. Ela abre os olhos e vê os outros. O outro significa o tu.
Ela primeiro se torna consciente da mãe. Então, pouco a pouco, ela se torna consciente de seu próprio corpo. Esse também é o 'outro', também pertence ao mundo. Ela está com fome e passa a sentir o corpo; quando sua necessidade é satisfeita, ela esquece o corpo. É dessa maneira que a criança cresce.
Primeiro ela se torna consciente do você, do tu, do outro, e então, pouco a pouco, contrastando com você, com tu, ela se torna consciente de si mesma.
Essa consciência é uma consciência refletida. Ela não está consciente de quem ela é. Ela está simplesmente consciente da mãe e do que ela pensa a seu respeito. Se a mãe sorri, se a mãe aprecia a criança, se diz 'você é bonita', se ela a abraça e a beija, a criança sente-se bem a respeito de si mesma. Assim, um ego começa a nascer.
Através da apreciação, do amor, do cuidado, ela sente que é ela boa, ela sente que tem valor, ela sente que tem importância. Um centro está nascendo. Mas esse centro é um centro refletido. Ele não é o ser verdadeiro. A criança não sabe quem ela é; ela simplesmente sabe o que os outros pensa a seu respeito.
E esse é o ego: o reflexo, aquilo que os outros pensam. Se ninguém pensa que ela tem alguma utilidade, se ninguém a aprecia, se ninguém lhe sorri, então, também, um ego nasce - um ego doente, triste, rejeitado, como uma ferida, sentindo-se inferior, sem valor. Isso também é ego. Isso também é um reflexo.
Primeiro a mãe. A mãe, no início, significa o mundo. Depois os outros se juntarão à mãe, e o mundo irá crescendo. E quanto mais o mundo cresce, mais complexo o ego se torna, porque muitas opiniões dos outros são refletidas.
O ego é um fenômeno cumulativo, um subproduto do viver com os outros. Se uma criança vive totalmente sozinha, ela nunca chegará a desenvolver um ego. Mas isso não vai ajudar. Ela permanecerá como um animal. Isso não significa que ela virá a conhecer o seu verdadeiro eu, não.
O verdadeiro só pode ser conhecido através do falso, portanto, o ego é uma necessidade. Temos que passar por ele. Ele é uma disciplina. O verdadeiro só pode ser conhecido através da ilusão. Você não pode conhecer a verdade diretamente. Primeiro você tem que conhecer aquilo que não é verdadeiro. Primeiro você tem que encontrar o falso. Através desse encontro, você se torna capaz de conhecer a verdade. Se você conhece o falso como falso, a verdade nascerá em você.
O ego é uma necessidade; é uma necessidade social, é um subproduto social. A sociedade significa tudo o que está ao seu redor, não você, mas tudo aquilo que o rodeia. Tudo, menos você, é a sociedade. E todos refletem. Você irá à escola e o professor refletirá quem você é. Você fará amizade com as outras crianças e elas refletirão quem você é. Pouco a pouco, todos estarão adicionando algo ao seu ego, e todos estarão tentando modificá-lo, de modo que você não se torne um problema para a sociedade.
Eles não estão interessados em você. Eles estão interessados na sociedade. A sociedade está interessada nela mesma, e é assim que deveria ser. Eles não estão interessados no fato de que você deveria se tornar um conhecedor de si mesmo. Interessa-lhes que você se torne uma peça eficiente no mecanismo da sociedade. Você deveria ajustar-se ao padrão.
Assim, estão interessados em dar-lhe um ego que se ajuste à sociedade. Ensinam-lhe a moralidade. Moralidade significa dar-lhe um ego que se ajuste à sociedade. Se você for imoral, você será sempre um desajustado em um lugar ou outro...
Moralidade significa simplesmente que você deve se ajustar à sociedade. Se a sociedade estiver em guerra, a moralidade muda. Se a sociedade estiver em paz, existe uma moralidade diferente. A moralidade é uma política social. É diplomacia. E toda criança deve ser educada de tal forma que ela se ajuste à sociedade; e isso é tudo, porque a sociedade está interessada em membros eficientes. A sociedade não está interessada no fato de que você deveria chegar ao auto-conhecimento.
A sociedade cria um ego porque o ego pode ser controlado e manipulado. O eu nunca pode ser controlado e manipulado. Nunca se ouviu dizer que a sociedade estivesse controlando o eu - não é possível.
E a criança necessita de um centro; a criança está absolutamente inconsciente de seu próprio centro. A sociedade lhe dá um centro e a criança pouco a pouco fica convencida de que esse é o seu centro, o ego dado pela sociedade.
Uma criança volta para casa. Se ela foi o primeiro lugar de sua sala, a família inteira fica feliz. Você a abraça e beija; você a coloca sobre os ombros e começa a dançar e diz 'que linda criança! você é um motivo de orgulho para nós.' Você está dando um ego para ela, um ego sutil. E se a criança chega em casa abatida, fracassada, foi um fiasco na sala - ela não passou de ano ou tirou o último lugar, então ninguém a aprecia e a criança se sente rejeitada. Ela tentará com mais afinco na próxima vez, porque o centro se sente abalado.
O ego está sempre abalado, sempre à procura de alimento, de alguém que o aprecie. E é por isso que você está continuamente pedindo atenção.
Você obtém dos outros a idéia de quem você é. Não é uma experiência direta.
É dos outros que você obtém a idéia de quem você é. Eles modelam o seu centro. Mas esse centro é falso, enquanto que o centro verdadeiro está dentro de você. O centro verdadeiro não é da conta de ninguém. Ninguém o modela. Você vem com ele. Você nasce com ele.
Assim, você tem dois centros. Um centro com o qual você vem, que lhe é dado pela própria existência. Esse é o eu. E o outro centro, que é criado pela sociedade - o ego. Esse é algo falso - é um grande truque. Através do ego a sociedade está controlando você. Você tem que se comportar de uma certa maneira, porque somente assim a sociedade irá apreciá-lo. Você tem que caminhar de uma certa maneira; você tem que rir de uma certa maneira; você tem que seguir determinadas condutas, uma moralidade, um código. Somente assim a sociedade o apreciará, e se ela não o fizer, o seu ego ficará abalado. E quando o ego fica abalado, você já não sabe onde está, você já não sabe quem você é.
Os outros deram-lhe a idéia. E essa idéia é o ego. Tente entendê-lo o mais profundamente possível, porque ele tem que ser jogado fora. E a não ser que você o jogue fora, nunca será capaz de alcançar o eu. Por estar viciado no falso centro, você não pode se mover, e você não pode olhar para o eu. E lembre-se: vai haver um período intermediário, um intervalo, quando o ego estará se despedaçando, quando você não saberá quem você é, quando você não saberá para onde está indo; quando todos os limites se dissolverão. Você estará simplesmente confuso, um caos.
Devido a esse caos, você tem medo de perder o ego. Mas tem que ser assim. Temos que passar através do caos antes de atingir o centro verdadeiro. E se você for ousado, o período será curto. Se você for medroso e novamente cair no ego, e novamente começar a ajeitá-lo, então, o período pode ser muito, muito longo; muitas vidas podem ser desperdiçadas...
Até mesmo o fato de ser infeliz lhe dá a sensação de "eu sou". Afastando-se do que é conhecido, o medo toma conta; você começa sentir medo da escuridão e do caos - porque a sociedade conseguiu clarear uma pequena parte de seu ser... É o mesmo que penetrar numa floresta. Você faz uma pequena clareira, você limpa um pedaço de terra, você faz um cercado, você faz uma pequena cabana; você faz um pequeno jardim, um gramado, e você sente-se bem. Além de sua cerca - a floresta, a selva. Mas aqui dentro tudo está bem: você planejou tudo.
Foi assim que aconteceu. A sociedade abriu uma pequena clareira em sua consciência. Ela limpou apenas uma pequena parte completamente, e cercou-a. Tudo está bem ali. Todas as suas universidades estão fazendo isso. Toda a cultura e todo o condicionamento visam apenas limpar uma parte, para que ali você possa se sentir em casa.
E então você passa a sentir medo. Além da cerca existe perigo.
Além da cerca você é, tal como você é dentro da cerca - e sua mente consciente é apenas uma parte, um décimo de todo o seu ser. Nove décimos estão aguardando no escuro. E dentro desses nove décimos, em algum lugar, o seu centro verdadeiro está oculto.
Precisamos ser ousados, corajosos. Precisamos dar um passo para o desconhecido.
Por um certo tempo, todos os limite ficarão perdidos. Por um certo tempo, você vai se sentir atordoado. Por um certo tempo, você vai se sentir muito amedrontado e abalado, como se tivesse havido um terremoto.
Mas se você for corajoso e não voltar para trás, se você não voltar a cair no ego, mas for sempre em frente, existe um centro oculto dentro de você, um centro que você tem carregado por muitas vidas. Esse centro é a sua alma, o eu.
Uma vez que você se aproxime dele, tudo muda, tudo volta a se assentar novamente. Mas agora esse assentamento não é feito pela sociedade. Agora, tudo se torna um cosmos e não um caos, nasce uma nova ordem. Mas essa não é a ordem da sociedade - essa é a própria ordem da existência.
É o que Buda chama de Dhamma, Lao Tzu chama de Tao, Heráclito chama de Logos. Não é feita pelo homem. É a própria ordem da existência. Então, de repente tudo volta a ficar belo, e pela primeira vez, realmente belo, porque as coisas feitas pelo homem não podem ser belas. No máximo você pode esconder a feiúra delas, isso é tudo. Você pode enfeitá-las, mas elas nunca podem ser belas...
O ego tem uma certa qualidade: a de que ele está morto. Ele é de plástico. E é muito fácil obtê-lo, porque os outros o dão a você. Você não precisa procurar por ele; a busca não é necessária. Por isso, a menos que você se torne um buscador à procura do desconhecido, você ainda não terá se tornado um indivíduo. Você é simplesmente mais um na multidão. Você é apenas uma turba. Se você não tem um centro autêntico, como pode ser um indivíduo?
O ego não é individual. O ego é um fenômeno social - ele é a sociedade, não é você. Mas ele lhe dá um papel na sociedade, uma posição na sociedade. E se você ficar satisfeito com ele, você perderá toda a oportunidade de encontrar o eu. E por isso você é tão infeliz. Como você pode ser feliz com uma vida de plástico? Como você pode estar em êxtase ser bem-aventurado com uma vida falsa? E esse ego cria muitos tormentos. O ego é o inferno. Sempre que você estiver sofrendo, tente simplesmente observar e analisar, e você descobrirá que, em algum lugar, o ego é a causa do sofrimento. E o ego segue encontrando motivos para sofrer...
E assim as pessoas se tornam dependentes, umas das outras. É uma profunda escravidão. O ego tem que ser um escravo. Ele depende dos outros. E somente uma pessoa que não tenha ego é, pela primeira vez, um mestre; ele deixa de ser um escravo.
Tente entender isso. E comece a procurar o ego - não nos outros, isso não é da sua conta, mas em você. Toda vez que se sentir infeliz, imediatamente feche os olhos e tente descobrir de onde a infelicidade está vindo, e você sempre descobrirá que o falso centro entrou em choque com alguém.
Você esperava algo e isso não aconteceu. Você espera algo e justamente o contrário aconteceu - seu ego fica estremecido, você fica infeliz. Simplesmente olhe, sempre que estiver infeliz, tente descobrir a razão.
As causas não estão fora de você.
A causa básica está dentro de você - mas você sempre olha para fora, você sempre pergunta: 'Quem está me tornando infeliz?' 'Quem está causando a minha raiva?' 'Quem está causando a minha angústia?'
Se você olhar para fora, você não perceberá. Simplesmente feche os olhos e sempre olhe para dentro. A origem de toda a infelicidade, da raiva e da angústia, está oculta dentro de você, é o seu ego.
E se você encontrar a origem, será fácil ir além dela. Se você puder ver que é o seu próprio ego que lhe causa problemas, você vai preferir abandoná-lo - porque ninguém é capaz de carregar a origem da infelicidade, uma vez que a tenha entendido.
Mas lembre-se, não há necessidade de abandonar o ego. Você não o pode abandonar. E se você tentar abandoná-lo, simplesmente estará conseguindo um outro ego mais sutil, que diz: 'tornei-me humilde'...
Todo o caminho em direção ao divino, ao supremo, tem que passar através desse território do ego. O falso tem que ser entendido como falso. A origem da miséria tem que ser entendida como a origem da miséria - então ela simplesmente desaparece. Quando você sabe que ele é o veneno, ele desaparece. Quando você sabe que ele é o fogo, ele desaparece. Quando você sabe que esse é o inferno, ele desaparece.
E então você nunca diz: 'eu abandonei o ego'. Você simplesmente irá rir de toda essa história, dessa piada, pois você era o criador de toda essa infelicidade...
É difícil ver o próprio ego. É muito fácil ver o ego nos outros. Mas esse não é o ponto, você não os pode ajudar.
Tente ver o seu próprio ego. Simplesmente o observe.
Não tenha pressa em abandoná-lo, simplesmente o observe. Quanto mais você observa, mais capaz você se torna. De repente, um dia, você simplesmente percebe que ele desapareceu. E quando ele desaparece por si mesmo, somente então ele realmente desaparece. Porque não existe outra maneira. Você não pode abandoná-lo antes do tempo. Ele cai exatamente como uma folha seca.
Quando você tiver amadurecido através da compreensão, da consciência, e tiver sentido com totalidade que o ego é a causa de toda a sua infelicidade, um dia você simplesmente vê a folha seca caindo... e então o verdadeiro centro surge.
E esse centro verdadeiro é a alma, o eu, o deus, a verdade, ou como quiser chamá-lo. Você pode lhe dar qualquer nome, aquele que preferir."
OSHO, Além das Fronteiras da Mente.
segunda-feira, 9 de março de 2009
Mulheres que Amam Gays
O antropólogo Roberto Albergaria sinaliza que o que se vê hoje nas grandes cidades ocidentais são habitantes das numerosas tribos urbanas experimentando mil jeitos de serem homem e mulher, mil formas de amar, desejos cada vez mais polivalentes e ambíguos. “As grandes cidades, com seus milhares de tribos, subculturas e minorias, são o cenário propício ao aparecimento dos mais variados tipos de atração entre homens e mulheres”, pontua. Ao analisar o fenômeno da multissexualidade, o antropólogo enfatiza que hoje em dia casar e ter filhos deixou de ser uma obrigação moral incontornável pelas moças de família e bons rapazes, que não mais se esforçam tanto para serem chamados de “normais.”
MULHERES LIBERADAS - “Neste novo mundo, as mulheres liberadas têm outras expectativas em relação aos homens, que hoje já não servem somente para casar e ter filhos, assumindo os papéis costumeiros de reprodutor e provedor. Na sua opinião, da mesma forma que muitas mulheres se sentem atraídas por homens que se relacionam sexualmente com homens ou afeminados, muitos homens passaram a se encantar com tipos de mulheres que se relacionam com mulheres ou masculinizadas. “É a onda das bad girls (das miseravonas, na cultura do pagode), é o furor das mulheres fálicas que abarrotam consultórios de psicanálises, das pós-modernas que são as dominadoras sexuais”, destaca o especialista, observando que a mulher que ama um gay poderia estar buscando somente um tipo menos machista do que o habitual, um homenzinho alternativo mais compreensivo em relação às sempre surpreendentes variações de humor feminino, o oposto do homenzarrão padrão, do super homem retadão. O antropólogo afirma, ainda, que como variante deste caso, há o uso do gay para fins reprodutivos, acrescentando que certas mulheres poderiam, ainda, estar buscando, ao se apaixonar por um gay ou bissexual, o desafio máximo: transformar o parceiro indiferente em desejante, o que seria uma “viagem narcísica de máxima intensidade ao tentar conquistar o coração do bonitão”.
DOMINAÇÃO VELADA - Fantasiar uma experiência de dominação, ainda que velada, seria outra explicação para o fato. Outra possibilidade levantada pelo antropólogo seria a de que a mulher estaria buscando o gozo impossível, irrealizável carnalmente, “o objeto de desejo passando a ser tão mais idealizado quanto menos palpável”, frisa. Segundo Albergaria, há a teoria defendida por muitos gays que adoram se envolver neste retorcido jogo de sedução, de que as desejantes não estariam fazendo nada mais do que recalcar o desejo que sentiriam por outra mulher.Há também que se considerar a questão do mercado de azaração. Mulheres mais velhas em nosso mundo machista tendem a ser preteridas pelas mais jovens. “Como resultado, sobram pouco homens disponíveis, pois a maior parte dos homens do seu círculo ou estão casados, ou são machões que só querem sexo de uma noite, ou solteirões cheios de manias ou, ainda gays, sobrando poucos pretendentes desejáveis. Os gays, transformados em objetos desejantes, poderiam despertar certa atração sexual”, acrescenta o antropólogo.
SEDUÇÃO DO EQUÍVOCO - A médica e psicoterapeuta Cleyde Lopes tem observado alguns casos de relacionamentos equivocados envolvendo homens e mulheres com diferentes opções sexuais. Para Lopes, uma mulher que afetivamente se envolve com gays pode ser bastante competitiva, ou quer provar o seu poder de sedução, mas o seu comportamento demonstra que está fugindo da realidade. “Elas insistem em invadir o espaço (amoroso) do outro por dificuldades em vivenciar um relacionamento maduro preferindo ficar na fantasia de modificar o comportamento do desejado, o que pode causar muito sofrimento. E enfatiza: “Em todo amor tem que haver troca. Se não, vai haver sempre uma frustração. Não vai haver realização afetiva”.
HOMENS VERSÁTEIS - Albergaria acredita que, na verdade, muitas mulheres tendem a se sentir cada vez mais atraídas, não tanto pelos gays mesmo, mas especialmente pelos homens sensíveis, os chamados metrossexuais ou versáteis ou, ainda, pelos rapazes ambíguos (aqueles que causam uma pontinha de dúvida), instigantes, misteriosos, que apimentam o teatro da vida amorosa. O antropólogo lembra que vivemos em um mundo da simulação, outra característica da pós-modernidade, em que a paixão teria muito pouco a ver com a transa sexual, “pois o prazer da sedução se bastaria a si mesmo, mundo encantado da multissexualidade, onde os rótulos fixos tendem a virar coisas do passado”.
MULHERES LIBERADAS - “Neste novo mundo, as mulheres liberadas têm outras expectativas em relação aos homens, que hoje já não servem somente para casar e ter filhos, assumindo os papéis costumeiros de reprodutor e provedor. Na sua opinião, da mesma forma que muitas mulheres se sentem atraídas por homens que se relacionam sexualmente com homens ou afeminados, muitos homens passaram a se encantar com tipos de mulheres que se relacionam com mulheres ou masculinizadas. “É a onda das bad girls (das miseravonas, na cultura do pagode), é o furor das mulheres fálicas que abarrotam consultórios de psicanálises, das pós-modernas que são as dominadoras sexuais”, destaca o especialista, observando que a mulher que ama um gay poderia estar buscando somente um tipo menos machista do que o habitual, um homenzinho alternativo mais compreensivo em relação às sempre surpreendentes variações de humor feminino, o oposto do homenzarrão padrão, do super homem retadão. O antropólogo afirma, ainda, que como variante deste caso, há o uso do gay para fins reprodutivos, acrescentando que certas mulheres poderiam, ainda, estar buscando, ao se apaixonar por um gay ou bissexual, o desafio máximo: transformar o parceiro indiferente em desejante, o que seria uma “viagem narcísica de máxima intensidade ao tentar conquistar o coração do bonitão”.
DOMINAÇÃO VELADA - Fantasiar uma experiência de dominação, ainda que velada, seria outra explicação para o fato. Outra possibilidade levantada pelo antropólogo seria a de que a mulher estaria buscando o gozo impossível, irrealizável carnalmente, “o objeto de desejo passando a ser tão mais idealizado quanto menos palpável”, frisa. Segundo Albergaria, há a teoria defendida por muitos gays que adoram se envolver neste retorcido jogo de sedução, de que as desejantes não estariam fazendo nada mais do que recalcar o desejo que sentiriam por outra mulher.Há também que se considerar a questão do mercado de azaração. Mulheres mais velhas em nosso mundo machista tendem a ser preteridas pelas mais jovens. “Como resultado, sobram pouco homens disponíveis, pois a maior parte dos homens do seu círculo ou estão casados, ou são machões que só querem sexo de uma noite, ou solteirões cheios de manias ou, ainda gays, sobrando poucos pretendentes desejáveis. Os gays, transformados em objetos desejantes, poderiam despertar certa atração sexual”, acrescenta o antropólogo.
SEDUÇÃO DO EQUÍVOCO - A médica e psicoterapeuta Cleyde Lopes tem observado alguns casos de relacionamentos equivocados envolvendo homens e mulheres com diferentes opções sexuais. Para Lopes, uma mulher que afetivamente se envolve com gays pode ser bastante competitiva, ou quer provar o seu poder de sedução, mas o seu comportamento demonstra que está fugindo da realidade. “Elas insistem em invadir o espaço (amoroso) do outro por dificuldades em vivenciar um relacionamento maduro preferindo ficar na fantasia de modificar o comportamento do desejado, o que pode causar muito sofrimento. E enfatiza: “Em todo amor tem que haver troca. Se não, vai haver sempre uma frustração. Não vai haver realização afetiva”.
HOMENS VERSÁTEIS - Albergaria acredita que, na verdade, muitas mulheres tendem a se sentir cada vez mais atraídas, não tanto pelos gays mesmo, mas especialmente pelos homens sensíveis, os chamados metrossexuais ou versáteis ou, ainda, pelos rapazes ambíguos (aqueles que causam uma pontinha de dúvida), instigantes, misteriosos, que apimentam o teatro da vida amorosa. O antropólogo lembra que vivemos em um mundo da simulação, outra característica da pós-modernidade, em que a paixão teria muito pouco a ver com a transa sexual, “pois o prazer da sedução se bastaria a si mesmo, mundo encantado da multissexualidade, onde os rótulos fixos tendem a virar coisas do passado”.
sábado, 30 de setembro de 2006
Versões do Pai Nosso - Aramaico
Há quem diga que as versões estão erradas. Certas ou erradas, são bonitas...
1)
Pai-Mãe, respiração de vida, fonte de som, ação sem palavras, Criador do Cosmos! Faça Sua Luz brilhar dentro de nós, entre nós e fora de nós, para que possamos torná-la útil. *** Ajude-nos a seguir nosso caminho, respirando apenas o sentimento que emana do Senhor. Nosso EU, no mesmo passo, possa estar com o Seu para que caminhemos como Reis e Rainhas com todas as outras criaturas. *** Que o Seu e o nosso desejo sejam um só, em toda Luz, assim como em todas as formas, em toda existência individual, assim como em todas as comunidades. *** Faça-nos sentir a alma da Terra dentro de nós, pois, assim, sentiremos a Sabedoria que existe em tudo. Não permita que a superficialidade e a aparência das coisas do mundo nos iluda, e nos liberte de tudo aquilo que impede nosso crescimento. *** Não nos deixe ser tomados pelo esquecimento de que o SENHOR é o PODER e a GLÓRIA do mundo, a canção que se renova de tempos em tempos e que a tudo embeleza. *** Possa o Seu Amor ser o solo onde crescem nossas ações. Que Assim Seja"!!!!!
2)
Ó Fonte da Manifestação!
Pai-Mãe do Cosmo
Focaliza Tua Luz dentro de nós, tornando-a útil.
Estabelece Teu Reino de unidade agora.
Que Teu desejo uno atue com os nossos,
assim como em toda a luz e em todas as formas.
Dá-nos o que precisamos cada dia, em pão e percepção;
desfaz os laços dos erros que nos prendem,
assim como nós soltamos as amarras que mantemos da culpa dos outros. Não deixe que coisas superficiais nos iludam. Mas liberta-nos de tudo que nos
aprisiona.
De ti nasce a vontade que tudo governa, o poder e a força viva da
ação, a melodia que tudo embeleza e de idade a idade tudo renova.
Amém.
1)
Pai-Mãe, respiração de vida, fonte de som, ação sem palavras, Criador do Cosmos! Faça Sua Luz brilhar dentro de nós, entre nós e fora de nós, para que possamos torná-la útil. *** Ajude-nos a seguir nosso caminho, respirando apenas o sentimento que emana do Senhor. Nosso EU, no mesmo passo, possa estar com o Seu para que caminhemos como Reis e Rainhas com todas as outras criaturas. *** Que o Seu e o nosso desejo sejam um só, em toda Luz, assim como em todas as formas, em toda existência individual, assim como em todas as comunidades. *** Faça-nos sentir a alma da Terra dentro de nós, pois, assim, sentiremos a Sabedoria que existe em tudo. Não permita que a superficialidade e a aparência das coisas do mundo nos iluda, e nos liberte de tudo aquilo que impede nosso crescimento. *** Não nos deixe ser tomados pelo esquecimento de que o SENHOR é o PODER e a GLÓRIA do mundo, a canção que se renova de tempos em tempos e que a tudo embeleza. *** Possa o Seu Amor ser o solo onde crescem nossas ações. Que Assim Seja"!!!!!
2)
Ó Fonte da Manifestação!
Pai-Mãe do Cosmo
Focaliza Tua Luz dentro de nós, tornando-a útil.
Estabelece Teu Reino de unidade agora.
Que Teu desejo uno atue com os nossos,
assim como em toda a luz e em todas as formas.
Dá-nos o que precisamos cada dia, em pão e percepção;
desfaz os laços dos erros que nos prendem,
assim como nós soltamos as amarras que mantemos da culpa dos outros. Não deixe que coisas superficiais nos iludam. Mas liberta-nos de tudo que nos
aprisiona.
De ti nasce a vontade que tudo governa, o poder e a força viva da
ação, a melodia que tudo embeleza e de idade a idade tudo renova.
Amém.
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